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Eu preciso ser gentil comigo


É, esta postagem deveria ter sido publicada há 18 dias atrás... e não, no desenrolar destas palavras amarradas aqui não haverá um pedido de desculpas pelo atraso. Sabe o motivo? Eu estava sendo gentil comigo e isso não concretiza um erro. Há tempos, tenho me sentido desanimada com o meu trabalho, com o andar da carruagem por esse chão de barro e por toda essa tecnologia que é incrível e insuportável ao mesmo tempo.

Eu amo o que faço, isso não deve ser questionado ou posto à prova. Acontece que, às vezes, me sinto perdida dentro do que estou fazendo e boa parcela de culpa vem do quanto as redes sociais me deixam cansada. Eu não odeio a internet, eu agradeço pela mente brilhante que a desenvolveu. Eu, aqui "no meio do mato", consigo "adentrar" na casa de milhares de pessoas, trabalhar para fora do meu estado e até do país, ter minha voz e mostrar quem eu sou além dos menos de 8 mil habitantes desse pedaço de chão.

Se não fosse a internet e a gentileza que ela gera, muito provavelmente eu não sei se estaria fazendo o que faço. Sou imensamente agradecida por estar cercada de pessoas gentis que apoiam o meu trabalho, acreditam em mim e me ajudam alçar voos mais longos. Palavras não são úteis para descrever o quão abençoada me sinto por saber que posso abrir um Twitter da vida e ter quem me "abrace".



Com todo grande crescimento, surgem pequenas inseguranças. De vez em quando, penso se sou fiel ao que produzo, se meu trabalho está sendo coerente com minhas palavras e assim vai... Sinto como se todos estivessem passando em seus cavalos brancos enquanto a minha carroça está atolada numa poça imensa de lama. E a lama gruda na pele, suja a roupa, desgasta a leveza do frescor. E é uma luta que a gente trava para focar no caminho, não desejar estar no cavalo limpinho de quem já está lá na frente e respeitar o nosso tempo. 

É difícil 
ser gentil 
com a gente mesmo.

E eu precisei de uns dias para esquecer que o Facebook, o Twitter, o Instagram, Whatsapp, Messenger, Discord e Tumblr existiam. Volto a repetir: o problema não está instalado nas redes sociais, mas em como elas podem nos afetar. Eu estava permitindo que tudo isso me sucumbisse, que o controle dos meus passos fossem ditados por elas. E veja lá, parece coisa banal, mas é uma coisa banal que mexe no cantinho do fundo da gente.

Parei. Esqueci mesmo. Dei uma respirada funda e fui fazer o que me faz bem, me torna leve e me deixa tranquila.

A gente fala tanto em ser gentil com as pessoas, mas acabamos esquecendo que também precisamos receber essa gentileza, nem que seja de nós para nós. E não é egoísmo ou orgulho enxergar através do espelho que cuidados são necessários com quem está sempre com a gente: a gente mesmo. 


Varrer essa casa bagunçada que é o nosso interior, sacudir a poeira e limpar o tapete. Colocar as roupas do armário para tomar banho de sol, cuidar do joelho machucado e trocar as cores das paredes. Abrir as janelas, deixar a luz e o frescor adentrar. Não existe nada mais aconchegante que uma casa limpinha. Não importa se é um casebre ou uma mansão. Somos do tamanho que quisermos ser.

Antes de ser gentil com as pessoas, eu preciso ser gentil comigo. Só podemos oferecer o que já possuímos, né?! E não precisa haver uma soberba ou presunção por trás disso, apenas uma pitada de respeito por nós mesmos. Só isso.

"Que Deus ouça as preces que Lhe dirijo quando amanheço revigorada e anoiteço tranquila. Quando consigo manter uma relação mais gentil com as lembranças difíceis que, às vezes, ainda me assombram. Quando posso desfrutar do contentamento mesmo sabendo que existem problemas que aguardam eu me entender com eles. Quando não peço nada além de força para prosseguir, por acreditar que, fortalecida, eu posso o que quiser, em Deus."
~ Ana Jácomo

Durante esse tempo para mim, organizei os apps do meu celular em pastas, apaguei o que já não acrescentava em nada e baixei novas possibilidades; conheci músicas incríveis (criei esta playlist com todas as faixas gentis que fizeram parte desse processo); comecei assistir uma série nova; li livros, estudei, trabalhei; me diverti mais... 

Aprendi que devo estar no controle das redes sociais, e não o contrário. Que apesar de todas essas mudanças bizarras de algoritmos e etecétera, não devo - e nem posso me dar ao luxo - de estar à mercê dos horários que não conversam com o meu planejamento e muito menos com minhas prioridades. Tenho pessoas incríveis para cirandar comigo, e tenho plena certeza que elas estarão para mim como estou para elas: prontas enxergar o ser humano por trás da telinha. É o que importa.


Três músicas gentis:

Lean on Me ~ Findlay Brown
Life With Grace ~ Super700
Open Season ~ High Highs

Três livros gentis:

Pollyanna ~ Eleanor H. Porter
Extraordinário ~ R. J. Palacio
O Pequeno Príncipe ~ Antoine de Saint-Exupéry

Três filmes gentis:

Uma beleza fantástica
When Calls the Heart (série)
O Jardim Secreto

Tenho me sentido mais leve após essa pausa para me aprumar. Gentileza para nós, sempre. ;-)

O amorzices é um projeto mensal, publicado todo dia 15, criado pelo trio amorzinho Sernaiotto + Serendipity + Desancorando e que tem um tema de base: amor. O tema de fevereiro é gentileza.

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