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Seis novos jeitos de agir

31.1.18


É engraçado como a nossa visão em relação ao que fazemos não é uma matéria sólida e imutável. Tem sempre algo novo que aprendemos e agregamos, e nunca falta o que podemos descartar. Nos últimos meses, li, ouvi, vi e experimentei uma porção de lições que, de alguma forma, mudaram os meus hábitos, a minha rotina e o jeito como eu enxergava (e lidava) com o que faço. E isso é fantástico! Melhorou não só a intimidade que tenho com a ilustração como também me fez conhecer novas pessoas e viver experiências incríveis.

1. Mostrar mais o processo.

Sempre tive receio de mostrar os meus bastidores, nunca imaginei que as pessoas teriam interesse em acompanhar o "por trás das câmeras", dos filtros e do produto. Na minha cabeça, elas só queriam ver o resultado final e pronto. Mas eu sempre fui curiosa, me perguntava como determinada pintura era feita, como foi alcançado um certo resultado e gostaria de assistir de perto o processo de muita gente. Nem sempre me coloquei como espectadora do meu próprio método criativo, e isso é automático. A "graça" de uma peça está no trabalho artístico, não é?! Quando criança, eu ficava mais animada em ver a minha tia modelar massa do que apreciar a escultura pronta (não que a escultura não tivesse valor, você me entendeu que eu sei hehe). 

Privar que vejam como e o que estou produzindo só me distancia de quem decidiu acompanhar o que faço. É como criar um muro gigante, uma barreira entre nós. Talvez isso pareça algo que gere uma certa vulnerabilidade, mas podemos concordar que isso faria mais sentido se estivéssemos vivendo na era pré-digital. Stories do Instagram e Snapchat são canais rápidos e fáceis para dividir com outras pessoas o que estamos fazendo. Eu não quero só ver bolos prontos, quero acompanhar eles sendo feitos. Master Chef é altamente interessante porque acompanhamos cada receita "crescer".
Para fazer as conexões acontecerem, temos que permitir sermos vistos.
~ Brené Brown


2. Estudar, estudar e estudar mais um pouco.

Se por acaso eu pensar que já estou muito boa em alguma coisa, bata a minha cabeça na parede sem piedade (aliás, faça isso com carinho!). Ter esse tipo de pensamento é um sinal de alerta! Se estou muito confortável com o que faço, nenhum progresso estou fazendo.

3. Não me comparar com outras pessoas.

Não é nem um pouco legal me comparar com outros artistas. Cada pessoa possui as suas próprias bagagens, experiências, técnicas, estudos, limitações... Seria injusto comparar a minha realidade com a de alguém. Fora que isso gera na gente um certo grau de ansiedade, inferioridade e paralisia. Se eu ficar pensando: "ah, mas com fulano tal coisa dá certo e comigo não" ou "eu não sei fazer nada", vou deixar por isso mesmo e sempre me sentirei incapaz, o que não é saudável. Todos nós travamos lutas, a vida de ninguém é perfeita. Portanto, necessito lembrar - todos os dias - que os outros precisam me inspirar evolução, sem contrastes. A minha realidade, o meio em que vivo, como as coisas funcionam e não funcionam para mim não é igual a de todo mundo. Nem tudo é questão de meritocracia. Minha saúde emocional agradece.

4. Me preocupar cada vez menos com quantidade e mais com a qualidade.

Me sinto mil vezes mais fiel a mim mesma quando minhas postagens por aqui são poucas e com qualidade do que quando elas são muitas e não agregam em nada na sua e na minha vida. Criar não precisa ser um peso nas minhas coisas, que martelam e fazem doer a coluna. Menos é mais, já dizia o sábio. E o mesmo vale para tudo, absolutamente tudo na minha vida. Priorizar o que vale a pena e silenciar o que não me faz crescer.


6. Pensar mais no desenvolvimento.

Tenho me doado 95% ao processo e aproveitando - o máximo que posso - cada fase dele. Fazer tudo pensando unicamente na chegada faz a caminhada perder o gostinho e a gente perde a melhor parte dela: o progresso. Não é sobre chegar, mas como chegar. Antes, eu ficava muito ansiosa quando sentava para desenhar, por exemplo. Agora, eu só sento e vou curtindo cada etapa. Parece que estou romantizando isso de "aproveite o processo", mas não tô, não. Garanto! Acho que a gente aprende que não adianta tanta afobação sem prestar atenção no que está acontecendo agora, sabe?! Negligenciar a escalada pode fazer a chegada não ser tão legal assim, tudo é aprendizado. Quando a gente chega no topo da montanha não dá para ficar lá pra sempre, precisaremos descer e é nessa decida que nos questionaremos: "okay, atingi a minha meta e o que foi que ela deixou de lição para mim?".


E caminhar é isso: aprender com o que nos cerca. Novos dias, novas experiências. E ó, se puder, leia o livro "Mostre seu trabalho!", do Austin Kleon, tenho certeza que ele organizará suas ideias bagunçadas.

Nos últimos meses, quais foram as suas autodescobertas? :-)

Olá 2018, pode entrar!

9.1.18


Começar preencher este espaço em branco da caixa de posts sempre me deixa animada e apreensiva. E é assim que também me sinto quando inicio um sketchbook novo, formato o meu computador ou simplesmente tiro os esmaltes das unhas para aplicar novas cores. Todo começo é incerto, mas a gente vai assim mesmo, ainda que devagarinho.

2017 foi um ano complicado para mim. Descobri que tenho uma doença crônica que acabou desencadeando outros problemas de saúde. Iniciei o meu tratamento, comecei outro e assim sigo vivendo um dia de cada vez cuidando de algo que faz parte de mim. Tive que aceitar esse fato com paciência, fé e - nas orações - pedindo sabedoria e força. Preciso mantê-la controlada, bonitinha e em paz. Sabe, às vezes coisas ruins vêm para oferecer algo bom, basta a gente ajustar as lentes e focar nisso. Acabei precisando mudar totalmente o meu estilo de vida e isso não foi/é algo ruim, pelo contrário. A mudança de hábitos me trouxe uma visão mais equilibrada da vida, saudável e leve. E isso é para toda existência, não posso mais voltar atrás.

Também precisei diminuir a minha carga de trabalho por conta disso tudo. Precisei fazer várias pausas ao longo do ano para cuidar da minha saúde e isso implicou em abrir mão de alguns projetos e trabalhos. Quem é freelancer sabe o quão importante é receber solicitação de serviços, ter que negá-los - várias vezes - me fazia sentir um pouco de culpa, mas era por uma razão nobre: sem saúde nada vai bem, principalmente produzir arte. Passou pela minha cabeça que não realizar freelas era uma atitude decepcionante e me colocava em uma posição de ser julgada. Mas aí eu refleti que não adiantava eu me prejudicar e não conseguir me dedicar 100% em algo, seria injusto entregar uma peça "meia-boca". Me enxergar como alguém que precisava de cuidados e não negligenciar isso fez toda diferença. Passei a me enxergar e a me respeitar como uma peça fundamental no que exerço.

Mudei meus gostos, aprendi inúmeras coisas novas, estudei muito (em passos lentos, é claro), bebi litros e mais litros de suco de beterraba com cenoura e de couve também, tomei remédios pesados, tive o primeiro remédio controlado receitado da minha vida (espero que seja o único hehe), joguei várias coisas do meu armário do lixo...  Definitivamente, 2017 foi cansativo. Por mais que tenha sido um ano pesado sobre meus ombros, nunca perdi a fé e tive a certeza que tinha Alguém maior segurando a minha mão e me fortalecendo. Aprendi que mesmo quando a gente acha que é fraco, nos tornamos fortes e tenho absoluta certeza que essa força vem do Alto.

No fim, tudo é aprendizado.

2018 é para mim como um sketchbook novo, limpo, cheio de folhas para serem preenchidas. Espero ser - todo santo dia - uma pessoa melhor, não me comparar com os outros, me cobrar menos e respeitar o que sinto. Que as cores, os aromas, os sons e os sabores dos próximos meses sejam incríveis para mim e para você também. Que possa ser sobre nós, e não sobre mim.


Já que falei em caderno e folhas em branco, não posso finalizar este post sem antes mostrar o presente gentil and artesanal que recebi da Isabella Pessoa:

sketchbook e prints altamente delicados feitos pela Bella, nhó! 
primeiro estudo do ano e a primeira vez na vida que fiz algo na primeira página hehe :P
mostrei lá no meu Instagram Stories todo processo desta pintura
segundo estudo inspirado em uma foto da Twiggy (também gravei e compartilhei nas stories)

Ei você, essa colagem delicada que ilustra o post foi feita pela minha irmã, Amanda Celeste. E ah, tinha um cigarro na mão esquerda da Anna Karina, por isso fiz um borrãozinho para escondê-lo. 
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