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Com amor, cores e afeto


Em 2010, quando estava no último ano do colegial, juntei uma graninha e painho me ajudou a comprar o meu primeiro notebook. Antes disso, eu não tinha acesso à internet, não sabia da existência do Google Translate e muito menos que existiam blogs. Na minha cabeça, tudo se resumia em CD-Room e nos macetes que o professor do curso de informática - que eu fiz há uma vida atrás - ensinou: digitar, formatar texto, criar pastas...

Compramos o notebook, mas a internet só foi instalada no fim das minhas aulas. Lembro que comecei a fuçar mil e uma janelas, a ficar atônita com trilhões de coisas novas e interessantes. E foi em uma dessas descobertas felizes que eu descobri o tal do blog. Um diferente do outro, recheados de dicas, textos inspiradores, de elementos fofos e afins. Não é de se admirar que eu tenha ficado apaixonada por tudo isso, né? Lembro que todo santo dia eu tinha que ir conferir se as meninas dos meus blogs favoritos tinham escrito algo novo.

Foi aí que decidi criar um cantinho para mim. Em dezembro de 2010, ainda muito leiga e perdida em assuntos digitais, pedi ajuda para o meu primo e criamos o Secret Place. Fiquei muito animada quando instalamos o primeiro layout, um beeeem basicão, porém lindo. A blogosfera era um lugar bem autêntico, todo mundo tinha um tipo de conteúdo singular e essa era a coisa gostosa de tudo. Queria postar meus desenhos acompanhados de mensagens significativas para mim e para quem lesse. Eu tinha apenas 12 seguidores e, por mais que isso pareça sentimental, os números não me "afetavam". 


O blog foi crescendo aos pouquinhos, por um descuido tolo, esqueci a senha e o login e perdi o acesso. Foi aí que comecei tudo de novo. Como não podia usar o mesmo nome e URL (já estava em uso), decidi que se chamaria Temporada das Flores. Este cantinho teve tantas e tantas metamorfoses, cresci com ele e ele comigo. Junto com o crescimento, também passamos por inúmeros hiatos. Nunca pensei em desistir daqui. Gosto de escrever, é o meu jeito mais sincero de usar as palavras. 

Não sou nenhuma blogueira famosa, não tenho mais de 500 acessos por aqui e - de verdade - não é sobre ser alguma espécie de "influenciadora", bombar ou enriquecer. Ainda enxergo o blog como algo que conta das coisas que acredito, faço e tento melhorar. Um espaço para espalhar o que for bom. O resto é consequência.


Sinto que a blogosfera perdeu um tiquinho da essência, pelo menos se a gente for resgatar o espírito de tudo isso que existia há 7 anos atrás. As formas de comunicação estão cada vez mais instantâneas e velozes, o que chega primeiro no leitor e pode ser consumido em poucos segundos/minutos é bem mais aceito e popularizado - e isso não é ruim, pelo contrário. As pessoas têm uma rotina pesada, o que é até compreensível não conseguirem mais sentar por uns 10 minutos para ler um texto e apreciar um conteúdo caprichado e feito com carinho. Até a forma de consumo está se modificando também. É mais "atrativo" ver o que blogueiros famosos estão fazendo em uma viagem pela Europa, o que andam comprando e como está o adiantamento de um diário de reforma do que ler uma boa e velha resenha sobre algo que agregue - de verdade - na nossa vida. 

Quero ressaltar que não estou diminuindo ou exaltando nada, tudo é informação e toda informação pode acrescentar algo. Você me entende?

Percebo que o materialismo está impregnado nessas novas formas de comunicação e isso me faz refletir no que meu humilde blog pode oferecer. 

Continuo blogando, ainda que para um número cada vez menor que os 500, porque amo. Por não saber ou conseguir me ver não fazendo isso. Por sentir a necessidade de não guardar as coisas que aprendi e estou aprendendo só para mim (não que eu seja uma pessoa muito sabida ou algo do tipo). Por tentar, mesmo que de um jeito muito sutil, plantar sementinhas de amor no mundo. Por achar que devo ser um postal ambulante que necessita espalhar alguma mensagem boa, por mais simples que ela seja. Amo a blogosfera que luta para deixar tudo mais bonito, acolhedor e autêntico. Por ser uma pessoa criativa que necessita extravasar cores, palavras e formas que dançam na minha cabeça.

Não existe nada mais pessoal em todas as minhas redes sociais do que este blog.

Por aqui, já escrevi coisas que eu acreditava piamente, já me arrependi várias vezes por todas elas. Mudei de opinião sobre várias outras e estou aprendendo também. E isso é viver e crescer, né? A gente vai deixando alguns pensamentos empoeirados para trás com a certeza que eles tiveram a sua serventia: fizeram parte do aprendizado.


Cada vez que recebo um comentário aqui, ou alguém me envia mensagem no Instagram, elogiando ou dizendo que determinado post foi bom, fico feliz e sinto que estou sendo abraçada. Isso motiva, é como ser impulsionada ou sentir que alguém também se importa com o que estou produzindo.

Através do blog, conheci pessoas incríveis que se tornaram meus amigos e me mostraram que existem tantas, tantas e tantas coisas incríveis ao nosso redor. Blogar só somou na minha vida.

Coisas boas vêm quando a gente tem coisas boas para ofertar.

Para os que estão chegando, os que já estão há algum tempinho e até para os que já desistiram da blogosfera: isso aqui é lindo, significativo e transformador. Pode não trazer um milhão de dólares, mas eu garanto que bons aprendizados a gente consegue extrair. Algumas coisas valem mais que outras, o que muda é se o valor é medido em moedas ou em sabedoria. Se as duas somarem, que bom, é consequência. Se não, não tem problema e isso não precisa ser um medidor se somos capazes ou não. Ser quem a gente é nunca esteve à venda.

Eu blogo porque este é jeito mais eficiente de escrever uma "carta" para várias pessoas ao mesmo tempo. Com nomes, endereços e particularidades. As palavras são como passarinhos soltos que saem voando por aí, procurando um lugar para fazer ninho. 

Com amor, cores e afeto.

O amorzices é um projeto mensal, publicado todo dia 15, criado pelo trio amorzinho Sernaiotto + Serendipity + Desancorando e que tem um tema de base: amor. O tema de novembro é amor na blogosfera.

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