9/03/2017

DETOX DIGITAL


Já experimentou logar em uma rede social, rolar o feed e se deparar com um mar de coisas negativas que parecem te afogar? Reclamações, indiretas, vídeos de pessoas e animais feridos, intolerância para todo lado, polêmicas e toda sorte de negatividade dominaram a linha do tempo dos meus aplicativos favoritos por muito tempo e isso estava me deixando doente. 

Apesar de trabalhar com internet, eu não passo muito tempo conectada nas redes sociais. Quando estou desenvolvendo um trabalho, ilustrando meus projetos ou escrevendo, simplesmente deixo o computador ou o celular no modo avião, isso sempre me ajudou a manter o foco e a fazer o que precisava ser feito. 

E tudo se resume neste ciclo: Maria enviou indireta para João. João viu a indireta e curtiu para ironizar. Joaquim compartilhou um vídeo de animais sangrando e pessoas acidentadas. Ana postou uma ilustração zombando dos nordestinos. Cátia disse que é cristã e ama a todos, mas acha que quem é de uma religião diferente da dela não será salvo. Rair comprou um carro e disse que agora vai pegar todas as meninas que vir pela frente, porque ele é o garanhão do pedaço e quem manda é ele. João decidiu responder a indireta de Maria e esse circo todo tá sendo assistido por todo mundo. Socorro! 

O Twitter me deixou traumatizada, de verdade. Fez um pouco mais de 1 ano que decidi excluir a minha antiga conta por lá, não estava conseguindo manter a minha sanidade mental. Toda - bendita - vez que eu abria o aplicativo no celular tinha mais coisas negativas do que positivas. Era como se de cada 10 posts, 9 fossem lamúrias e 1 algo divertido ou que agregasse na minha vida.

Todo mundo tem o direito de postar o que quiser, quando quiser e onde quiser. Eu só não posso  e não quero consumir tudo que é apresentado para mim. E, graças aos bons humanos, descobri a opção mutar, parar de seguir e perdi o medo de desfazer amizade.



Não é que todos nós devemos ser 100% positivos e engessados, a vida de ninguém é perfeita. Eu também reclamo, tenho os meus momentos de chatice e de "arg!!!", mas não preciso ficar o tempo todo compartilhando isso com as pessoas. Todo mundo tem os seus problemas para resolver, não quero - e nem posso - ser conhecida como alguém reclamona, negativa e chata... Livrai-me!

Depois que comecei a ler Pare de Reclamar e Concentre-se nas Coisas Boas e O Poder do Hábito, passei por longos dias de autoanálise, de autoconhecimento e de me perguntar quem eu sou, o que eu estava consumindo, com quem eu estava me relacionando e o que eu estava oferecendo e recebendo do mundo. Estou longe, mas muito longe mesmo, de ser uma pessoa perfeita e totalmente agradabilíssima. Eu sou humana, não sou uma boneca de porcelana. Só estou tentando me reeducar. 

Rousseau bem disse: "o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe". Somos cada partícula das experiências alheias, dos tombos que tomamos e da aprendizagem que construímos. O que me faz querer não ter os mesmos hábitos que me "estragaram", é que não quero continuar definhando - em todas as áreas da minha vida. 

Faz poucos meses que voltei para o Twitter, e amo o feed do meu Facebook. Por qual razão? Aprendi a ser mais seletiva, a não ter medo de mutar, deixar de seguir e aceitar ter por perto pessoas que me deixam para baixo, furiosa e cheia de pensamentos negativos. Não posso controlar tudo ao meu redor, mas posso controlar como vou reagir diante das situações. Se as pessoas são negativas, eu não preciso ser igualzinha. Se elas só reclamam, que reclamem*, eu não preciso ver isso. 

* P.S.: reclamar com motivo é uma coisa, reclamar por reclamar é outra. 

Não existe uma vez que eu entre no Facebook ou no Twitter e não feche o aplicativo sem ter aprendido algo novo e refletido em uma coisa que me faça querer evoluir. Sempre me pergunto: estou contribuindo para deixar o dia de alguém melhor? O que posso melhorar? Não é sobre o que pensam de mim, e sim sobre o que eu faço com as coisas que o mundo me oferece. 

Quando o seu feed estiver te deixando triste, pense em fazer um detox digital. 

Malena Flores



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