7/11/2017

UM SORRISO OU DOIS


Me sinto feliz quando clientes queridos me recomendam para outras pessoas. Me dá a sensação de que contribuí, de alguma forma, para algo bom na vida deles que até sentiram vontade de ecoar esse sentimento para que outros pudessem experimentá-lo também. Fico lisonjeada. Mas ó, é uma responsabilidade danada. A Nádia Dantas é uma dessas clientes que levou um pedacinho de mim e deixou um tanto dela em mim.

No segundo semestre de 2016, a Nádia me recomendou em um post na fanpage do Frederico Elboni em que ele procurava por ilustradores brasileiros para um projeto. Eu que não sou besta nem nada - e não tinha nada a perder - fui lá no campo de comentário e deixei os meus contatos.

Vivi a minha vida e até esqueci o ocorrido. O "não" eu já tinha, não custava tentar o "sim". 

No primeiro semestre deste ano, recebi um e-mail da Editora Benvirá me convidando para ilustrar a edição comemorativa dos 100.000 exemplares vendidos do livro "Um sorriso ou dois", do Fred Elboni. O mesmo Fred da Nádia. Lembro de ter ficado bem animada, até por já ter esquecido de tudo e não ter criado nenhuma expectativa de ser chamada. Esse negócio de manter as expectativas no mesmo nível da realidade tem me ajudado tanto que até alivia a ansiedade.

Uma vez topado, hora de começar os jogos! A Editora me enviou a primeira edição física do livro para que eu pudesse ler e rascunhar a partir do resultado final da leitura. Devorei o livro rapidinho, minha mente estava inquieta e eu montei uma pasta secreta no Pinterest abarrotada de referências legais. O meu saldo foi este: precisava desenhar uma mulher jovem, sorridente, divertida e misteriosa com elementos botânicos fluindo dela, que tudo fosse colorido e contido ao mesmo tempo.

Primeiro rascunho (bem poluidão).

Mão na massa. Me diverti muito no processo, foi uma delícia fazer este trabalho, fluiu. De verdade. Fiz com muito capricho.


Quando a ilustração já estava toda pronta, tudo certinho, um dia antes do arquivo ser enviado, o meu computador deu pau e eu perdi tudo. Assim devagarinho: a b s o l u t a m e n t e   t u d o.

Eu tive uma sensação de vazio, de medo, de desânimo, de cansaço mental. Eu ria de nervoso. Não desejo isso para ninguém. Eu pensava: "como assim eu perdi o arquivo final, o meu tempo, toda dedicação e os mínimos-detalhes-que-jamais-poderei-refazer-exatamente-do-mesmo-jeito?" Só não chorei (nem lembro mais se não chorei mesmo) nem sei o por quê.

Orei, orei, orei. Pensei em desistir. Mas se eu desistisse, me sentiria muito chateada e "dobrada" pela vida. Pensei em refazer, mas não tinha certeza se daria tempo. Afinal, eu levei muitos dias para produzir a ilustração da capa e não seria uma ninja robotizada para fazer tudo de novo em menos tempo. Mas aí a gente sente um quentinho no coração que parece significar coragem e dizer para chutar o medo e não pensar tanto. Deus é muito bom comigo. Ele nunca me deixa sozinha.

E o dilema surge: se eu contar para o pessoal da Editora, é capaz deles não acreditar em nada, pensarão que estou enrolando e que não consegui fazer coisa nenhuma! Mas eu contei assim mesmo, com medo e tudo. Eu sabia da verdade e isso importava.

Refiz tudo, não surtei e nem tive uma crise de ansiedade, graças a Deus! Não ficou do mesmo jeitinho do primeiro arquivo. Ficou melhor. A gente aprende com os erros, eles nos fortalecem. É bom escrever isso depois de tudo pronto. :P


Eu não sei se isso é pecado, mas começo todos os projetos pensando no fim. Não como se eu tivesse pressa de fazer e terminar logo. Pelo contrário, inicio saboreando cada etapa, fazendo tudo com muito empenho para que no fim eu sinta satisfação de tudo que passei. Para que o sentimento que predomine seja o que ter dado o meu melhor e não ter apenas um resultado, mas a soma de cada pequeno passo.

Hoje, me sinto feliz por ter respeitado os meus limites quando eu achei que estava tudo perdido, e de ter fé onde cabia só o medo. Talvez pareça que eu seja metida, mas eu não sou, viu? Modéstia parte, sinto que fiz um bom trabalho. Está longe de ser algo perfeito, mas está fazendo bem para mim, pode apostar. Tem toda uma história interna. Toda vez que eu olhar para este livro, não enxergarei apenas uma ilustração, verei uma história, um crescimento, um degrau.

Quando você tiver o seu projeto perdido, não desanime, tenha coragem. Você tem um combustível aí dentro que te ajudará a não cometer os mesmos erros e a ter mais paciência, resiliência. Assim como eu superei um obstáculo, você também consegue superar, acredite nisso. Não desista nunca e seja sempre verdadeiro com quem importa: você mesmo.

A minha médica disse que não adianta nada trabalhar e ficar doente por causa do trabalho. O trabalho serve para nos deixar felizes e realizados. Ela está certa.

Agora, algumas fotinhos do livro:


Antes do fim, uma música feliz e leve:


Obrigada, Amanda Celeste, por ter me ajudado com as fotos. ;)

Malena Flores

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