12/12/2016

EU ESCREVI ISSO PARA VOCÊ, LEIA



"I hate to see you cry
Lying there in that position
There's things you need to hear
So turn off your tears
And listen..."

Se eu pudesse te dar um conselho, eu diria para você parar de se importar tanto com a opinião alheia sobre quem você é. A gente tem um péssimo costume de formular uma imagem de alguém por pequenas coisas que acreditamos saber. A vida é mais do que isso que a gente vê num post do Facebook, na unha/barba por fazer e numa frase mal interpretada. Numa atitude mal entendida, eu diria. E eu até ousaria dizer mais: não dê voz para quem quer abafar a sua.

Existe muito mais conteúdo além da vida na internet. O que você posta é um fragmento do resto do dia, que só quem está por perto é quem sabe. As pessoas vão criar uma imagem de você e ela será feita de gesso e preconceitos estabelecidos com base na visão de um telespectador que se acomoda numa poltrona e rola o feed, construindo uma história cheia de facetas sobre quem ele não é. E se você não seguir o roteiro que ele, generosamente, traçou, será posto à prova de uma farsa pronta para ser julgada no banco dos réus. Não há cabimento para o que não nos cabe.

A sua unha/barba por fazer vai incomodar muito e isso será assunto para ser colocado dentro da roda. Seria falta de asseamento, tempo ou promessa? É, eu sei que não é moleza segurar esses forninhos todos de uma vez quando você tenta se equilibrar numa corda bamba. 

Te pegaram num dia ruim, estressante, preocupante. Você disse A, entenderam B, faltaram às aulas de interpretação de texto da professora Indaiá. Ai, ai! Se fosse um teste surpresa, eles iriam tirar zero, certeza.

Vão dizer que você não é exemplo para ser seguido, que se perdeu na vida e está irreconhecível. Eles vão dizer, porque se tem uma coisa que eles sabem, essa coisa é dizer. Vão te cobrar também, cobranças com taxas altas de juros pelas mudanças que você teve, aliás, você vive e viver é isso: crescer, se reinventar, descobrir, experimentar. Isso é o ápice para quem assiste tudo de camarote, no escurinho, ali no canto acomodado. 

Ser quem você é não é lá tarefa fácil. Precisa ter muito sangue frio. Vai precisar fingir ser babaca, segurar pratos num cabo de vassoura e cantar em alemão de trás para frente. Mandar pastar, de vez em quando, não faz mal, viu?! 

Se eu pudesse te dar mais um ou dois conselhos, te diria para não desistir de ser quem você é. Quando cair e machucar feio os joelhos, levante-se e sacuda o pó, estanque o sangue e volta para a estrada, dê um passo de cada vez e "bye bye" para quem vai ficando para trás. Costura as flores que encontrar pelo caminho na barra da tua roupa e apanha as pedrinhas que te lançarem, elas também terão serventia. Filtre o que te faz bem e joga no lixo o que de nada te acrescenta, igual você faz com a borra do café. 

E nem ouse em dar voz aos imbecis, por favor. Segue os teus sonhos, continue valorizando o que te faz bem, o que é verdadeiro e te faz crescer como pessoa, como humano. Não deixe de se encantar com as coisas efêmeras, de descobrir o que não é corriqueiro e dar uma nova chance para a vida. 

Se eu pudesse, segurava todas as suas lágrimas como quem segura uma porta. Como não posso, torço para você conseguir manter o passo, no seu ritmo, e plantar flores no lugar das feridas que abriram. Toda semeadura tem a sua colheita. Nobre é quem é o que decide ser.



Ó, a colagem que ilustra este post é de autoria de Tess Johnson. A citação que abre o texto é de John Mayer, faz parte da música The Heart of Life.


Malena Flores


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