10/06/2016

EIS A CHARADA, MEU CARO



"Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então."


Desde criança, escuto "Metamorfose Ambulante", do Raul. Só dia desses, parei para digerir cada palavra, como deveria ser. Acho que foi por conta da sensibilidade, quero crer que sim.

Nasci com o cabelo liso, a pele mais bronzeada e vivia de franjinha indie. Acontece que eu cresci. Meu cabelo cacheou (cacheou muito, por sinal), não há sinais de bronzeamento na minha pele e não tem como ter franjinha lisa sem ousar vir a ser refém da chapinha. Não tive como controlar essas mudanças, elas simplesmente aconteceram e sem pedir licença.

Passei a maior parte da minha vida, desde que tudo que citei anteriormente aconteceu, com o cabelo enorme, na cor natural, sem nenhum vestígio de nada que não fosse o de sempre: shampoo, condicionador e máscara. Pintei e cortei.

Parei de consumir manteiga/margarina há uns três ou quatro meses, experimentei paçoca (que era uma coisa que eu considerava não gostar) e gostei. 

Aula prática de Educação Física no Ensino Médio? Eu sempre inventava uma tosse, uma gripe e uma dor no joelho. Ficava de fora, jamais que ia lá querer mexer o corpo na quadra. Só uma vez que achei de participar de um baleado e, como era de esperar, levei uma bolada na cara e quase vi estrelas. Agora, eu tô tão viciada em atividade física que até cogitei prestar vestibular para algo do tipo. 

Constatei que a Marvel é maravilhosa e Loki é o meu favorito, apesar de não ser um herói. Capitão América é chato, no fundo no fundo... Prefiro o Tony.


Quando criei a Prosa de Cora, ninguém sabia que era eu ali. À princípio, eu gostava da ideia das pessoas não saberem quem ilustrava e escrevia, de quem era o projeto, o motivo de não se revelar... Eu não tinha planos concretos de me expor, mas aconteceu. Tive a necessidade de tornar isso público após assinar um contrato para uma colaboração. Não me arrependo, ninguém ficou ferido após saber que era coisa minha, que tinha dedo meu.

Passei seis anos escrevendo no Twitter, faz pouco tempo que não uso mais aquilo. 

Parei de ler romances e tô fissurada em gêneros como "O Poder do Hábito", do Charles Duhigg. Inclusive, você precisa ler esse livro!

Meu editor de foto continua sendo o VscoCam, permaneço sem beber café e descobri que sou fã de uma música do Justin Bieber e do Projota. Ainda sonho em ter um telescópio e amo o Popeye.

Mudar de opinião, de ideia, de estilo, pensamento, corte de cabelo, gosto e o que quer que seja é normal. Ninguém precisa ser uma coisa só e não mudar nem um pouquinho, isso não é viver. Estamos em constante metamorfose e isso é incrível. O mundo gira e giramos junto com ele. Se até a Lua tem lá as suas fases, por qual razão devemos nos atar numa coisa só?

“Meu Deus, meu Deus! Como tudo é esquisito hoje! E ontem tudo era exatamente como de costume. Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: eu era a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: ‘Quem é que eu sou?’. Ah, essa é a grande charada!” ~ Alice no País das Maravilhas

Não me culpe se amanheci diferente de quando você me conheceu. Eu só tô vivendo, e isso, meu irmão, não me faz menor nem maior do que ninguém. Já dizia Raul Seixas: "Eu quero viver nessa metamorfose ambulante."


Malena Flores

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