5/05/2016

ME DEI CONTA DE QUE NÃO CONHECIA O LÁPIS DE VERDADE


Dia desses, a Faber Castell me enviou um kit comemorativo do icônico EcoLápis e uma carta, em três laudas, contando a história desse tão humilde instrumento que faz parte da vida de tanta gente. Apesar de conviver com lápis desde muito nova e eles fazerem parte do meu cotidiano como ilustradora, eu percebi que não sabia praticamente nada, da parte teórica, do material que me acompanha há quase duas décadas. Para sair da ignorância, que até chega ser irônica pela intimidade que tenho com a ferramenta, comecei a estudar mais sobre o assunto, e é sobre o que aprendi que venho compartilhar aqui.

A história toda começa, sem nenhuma pretensão, numa zona rural da Inglaterra, em Borrowdale. Havia ali uma encosta e, debaixo dela, encontraram pedaços de um "estranho ser" que se assemelhava ao carvão, mas que não produzia nenhum calor, e deixava uma marca preta, brilhosa e apagável. Como perceberam que o material poderia fazer marcas em diversas superfícies, as pessoas acabaram envolvendo pedaços de pele de ovelha e até barbante naquela substância desconhecida que tinha uma textura oleosa. Tudo isso no século 16. 


No século 17, o "chumbo preto" já era famigerado entre os artistas, exportado e estava em todos os lugares, inclusive no continente europeu. Como tudo que faz sucesso fica exposto aos maus olhos, os lápis foram alvo de contrabandistas e furtadores. Por conta disso, o Parlamento Britânico assentiu que quem roubasse o "chumbo preto" poderia ficar exilado numa colônia e até detido como um ato penal.

Depois de muito tempo, lá em 1779, Carl W. Scheele, um químico sueco, descobriu que não se tratava de chumbo, mas de carvão puro e maleável. E os estudos não pararam por aí... O geólogo alemão, Abraham G. Werner, uma década depois, nomeou o mineral de grafite, que em grego significa escrever. Pois é, de chumbo o lápis não tinha nada!


A coisa começou a evoluir de verdade em meados do século 18 e 19, quando os fabricantes viram que a grafite da Europa era de qualidade inferior e eles precisavam aprimorá-la. Nicolas-Jacques Conté, um engenheiro francês, misturou argila com grafite em pó, modelou a misturinha em formato de bastão e pôs a receita para cozinhar em um forno de calcinação. Sábio homem! Com base nisso, ele começou a variar a quantidade de grafite com argila, conseguindo variações no tom de preto. Esta técnica ficou tão famosa que é utilizada até hoje. Em 1995, Conté patenteou sua ilustre descoberta. Suponho que você já tenha visto por aí alguns lápis Conté. Não? Então clica aqui

Como tudo que faz sucesso se espalha pelo mundo, não foi diferente com esse humilde instrumento. Ganhou o universo e até as crianças que estavam inciando a vida escolar já os tinham em mãos.



Pesquisando sobre o assunto que tanto me chamou atenção, descobri que um lápis comum de madeira é capaz de riscar uma linha de 55 quilômetros de comprimento e grafar 45.000 palavras. Uau! Com os lápis de cor, usam corantes e pigmentos no lugar da grafite.



Quanto maior o número de H (que em inglês significa duro/hard), mais firme é o traço e mais suave a tonalidade. Em contrapartida, quanto maior o número de B (em inglês preto/black), mais macio o traço e mais intensa a tonalidade. As graduações de HB (hard e black) é o meio termo, o pronto de equilíbrio entre as graduações. F mostra que a escrita é fina.

Eu sou perdidamente apaixonada pelos lápis da Staedtler, principalmente a linha colorida para aquarela. São muito gostosos de usar e, para mim, cumprem a função direitinho.


Agora, uma ilustração que fiz, há exatamente 1 ano atrás, da saudosa Twiggy. Utilizei os lápis 3, 4 e 6B + os coloridos e aquareláveis da Faber Castell.


Me dei conta de que não conhecia o lápis de verdade. Eles são versáteis, baratos, cabem em qualquer canto (inclusive, apoiado na orelha, segurando o cabelo ou no bolso), em diversos formatos e materiais, são usados por crianças que estão sendo alfabetizadas a até por incríveis artistas... As próximas gerações ainda ouvirão falar e muito deste nobre e peculiar instrumento. 

E você, sabia disso tudo?

Malena Flores


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