10/10/2014

CIGARRAS, FOGUEIRA E ESTRELAS


No auge dos meus 8 anos (não tenho certeza se eram 8 ou mais, ou menos, talvez) fui passar as férias com meus avós e minha tia na roça. Sem energia elétrica, fogão à lenha, casa simples e banho só se fosse de rio com direito ao canto das cigarras e sapos. Dormíamos às 9hs da noite e acordávamos bem cedinho. Uma das imagens mais gostosas que tenho desses dias é de uma noite com pontinhos brilhando no céu. Sentamos do lado de fora da casa, vovô acendeu uma fogueira, proseamos e rimos de muitas coisas.

Silenciei, apenas fixei meus olhos naquela imensidão que estava acima da minha cabeça. Com ausência das luzes, as únicas coisas que conseguia enxergar eram as chamas da fogueira que pareciam tocar as nuvens e, bem lá no alto, um mar de estrelas.  Uma, duas, três, bilhões, trilhões [...]. Por mais que eu desejasse contar, não conseguira. A matemática é inútil quando o assunto trata-se de corpos celestes. (Isaías 51:6) Deus é infinito. Fiquei totalmente admirada.

“Ele está contando o número das estrelas; a todas elas chama pelos seus nomes.” — Salmo 147:4.

Quando, por algum motivo, falta energia elétrica aqui na cidade, saio correndo para a varanda daqui de casa para ver, pelo menos durante uns dois minutos, o espetáculo que se faz lá no alto. Eu amo a Lua, amo o pôr do Sol, o movimento das nuvens... Gosto dessa coisa toda do céu. Paro no meio da rua para ficar olhando o que está acontecendo lá em cima e não me importo se pareço estranha fazendo isso. Ontem, voltando do Hospital, avistei algo tão sublime que, por mais que eu tente descrever, não conseguirei transmitir para vocês com exatidão a proporção daquilo tudo. Por detrás das altas árvores, do outro lado da cidade, o céu estava azul “fosco”. A Lua (umas 5 vezes maior que o normal) estava totalmente dourada (bem dourada mesmo) subindo devagarzinho, como se não quisesse aproveitar cada segundo. Queria que os meus olhos fossem uma máquina de fotografar, na qual eu apenas precisasse piscar os olhos e ela registraria o momento, aquela imagem.

Não sei por que estou escrevendo isso, não tenho certeza se no fim deste post vocês irão absorver algo bom e positivo. Apenas desejei compartilhar esse pequeno retalho que é tão precioso para mim. Vejo como Jeová é cuidadoso e detalhista. Apesar de estar voltando do Hospital, após irmã ter se sentido muito mal e toda preocupação do meu pai, Deus estava ali pintando uma cena sublime para nos dizer que Ele pode todas as coisas. Sinto que precisamos estar com o coração sensível para senti-lO e perceber tudo aquilo que Ele, de forma sutil, prepara para nós. Muitas vezes, permitimos que as luzes da cidade ofusquem o brilho e a grandiosidade do que Jesus preparou para nós, ficamos dispersos, cheios de urgências. Ele não age em meio aos holofotes, prefere a simplicidade. Esquecemo-nos de apreciar a natureza e os rastros de amor dEle. Andamos tão apressados... Aonde vamos parar?

Por favor, apaguem as luzes, vamos ver o céu.



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