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Máquina de xérox barata

2.2.18


Desde pequena, sempre ouvi que eu nasci com uma espécie de "dom" para desenhar. Escutava isso dos tios, dos primos, das professoras, dos colegas e até hoje recebo mensagens assim. Sei que as pessoas falam isso na melhor das intenções e eu agradeço, de verdade. Mas eu não acredito em dom, em um poder paranormal que faz com que nós, reles mortais, sejamos "especiais" diante de outras pessoas. Como se eu fosse sorteada para desenhar e você para cantar, por exemplo. Eu acredito em habilidades diferenciadas, estudo, prática e repetição.

"Ah, como eu queria desenhar igual a você! Pena que não tenho esse dom." Se você praticar, você pode desenhar milhões de vezes melhor, acredite. Mas "dom" não é assunto para este post, hoje quero falar sobre máquina de xérox barata.

Eu e você aprendemos a ler e escrever porque os nossos cuidadores e professores apresentaram o alfabeto e trabalharam mecanismos diferenciados de aprendizagem. Eles dividiam as letras em um grupo maior que era chamado consoantes, e um grupo menor chamado vogais. Nisso, associavam as letras a coisas do nosso universo infantil. Liam em voz alta e pediam para que repetíssemos, escreviam e tínhamos que copiar. Em pedagogia (minha formação hehe), chamamos essas práticas de Letramento e Alfabetização.

Encontrar o nosso estilo dentro da arte não é tão diferente assim. Ninguém nasce com um estilo divino, sólido e definitivo. Ninguém nasce com o "dom". Nascemos com mais habilidades para determinadas atividades do que para outras, e isso não significa que não podemos ser bons nas atividades em que apresentamos menor desempenho. Ambas só serão desenvolvidas se nós praticarmos, estudarmos e trabalharmos nelas. É como um músculo: quanto mais atividade física você fizer, mais ele será desenvolvido. À medida que você estuda, mais perto fica de encontrar a sua voz, o seu estilo e o seu "eu". Tudo é prática.

E prática é tudo aquilo que vai de desencontro ao plágio. São dois extremos altamente próximos um do outro, consegue entender o quão perigoso isso é?!

Austin Kleon diz que "plágio é tentar fazer o trabalho de outro passar por seu." É como você ter uma máquina de xérox barata, copiar o trabalho do seu amiguinho e assinar como se ele fosse seu. Isso é uma praga que afeta e devasta o seu jardim.

Como não nascemos emponderados e com superpoderes, absorvemos conhecimento ao longo da nossa jornada e eles são desenvolvidos à medida que praticamos, estudamos outras pessoas e repetimos. Quando estudamos determinado artista, tentamos esmiuçar a obra dele. Como? Pense que você é um estudante de medicina que está examinando anatomia: tenha olhos sensíveis e precisos. Tente enxergar cada mínima parte da obra, como elas se encaixam, o que elas querem dizer, como funcionam em conjunto e qual a razão de estarem exatamente ali e não em qualquer outro lugar. Procure visualizar o comportamento do autor, como ele "resolveu" o problema. Agora, faça o mesmo com mais 10 outras obras de artistas que você admira. Isso é estudar. 

Se você copia de um autor, isso é plágio, mas se você copia de muitos, é pesquisa.

Copiar é quando você tem preguiça de estudar e é uma pessoa imediatista: não quer perder tempo com nada, enxerga o esforço com olhos cansados e negligencia o seu próprio jardim. É como se você tivesse preguiça de regar a sua planta todos os dias e colocá-la para tomar banho de sol. Você espera que ela fique bonita, saudável e floresça, mas tudo isso sem que você tenha que levantar da cama. E o perigo está na evidência de que a sua planta depende do seu cuidado. Sem ele, ela fica abafada, seca, desnutrida e morre. Copiar é mais atraente que ter a disciplina de estudar. Você consegue fazer exatamente a mesma coisa que uma outra pessoa sem precisar calejar as mãos, ou suar, recebe muitos likes e elogios (todo copiador é vaidoso) e leva os créditos por uma mentira que fere outra pessoa. Dá para ter dimensão do quão tóxico um plagiador consegue ser?!

O que copiar é um pouco mais complicado. Não se limite a roubar o estilo, roube o pensamento por trás do estilo. Você não quer parecer os seus heróis, você quer enxergar como eles.

Assinar o meu nome em um estudo de cópia é honesto? Definitivamente não. Você não pode assinar seu nome em um estudo de cópia que fez do Matisse, por exemplo. Nem do Matisse e nem de qualquer outro artista. É feio, é antiético, é totalmente errado. Na verdade, você nem deveria publicar  na internet esses estudos de cópias, eles deveriam ficar guardadinhos em uma pasta do seu computador ou apenas no seu sketchbook. Se você desejar muitíssimo publicá-los, peça autorização do autor e posteriormente dê os créditos. 

"Ah, mas eu achei tal peça na internet." Não, essa desculpa não é inteligente. Nada cai - misteriosamente - na internet partindo do nada, isso é irreal. Se determinada peça está lá é porque existe um autor que a colocou ali. Não importa se está sem nome, sem fonte... Procure. O Google é uma ferramenta inteligente de pesquisa.

Quando plagiamos, transmitimos para o mundo uma mensagem negativa de nós mesmos. O mundo é uma cidade pequena. Uma hora ou outra, alguém vai notar quem está copiando quem e isso pode enterrar a sua planta antes mesmo de você semeá-la. Além do que, você não terá uma voz e será apenas um eco distante. Ficará refém de outra pessoa, pois não conseguirá criar - apenas reproduzir. Esta cultura do plágio é séria e, infelizmente, precisamos apertar nessa tecla quantas vezes for necessário. Assim, emponderamos quem está começando a produzir arte, e também quem já está na estrada mas ainda não tem essa visão "disciplinada".

Honre os artistas que você admira, não tente puxar o tapete deles. Valorize as pessoas que influenciam o seu trabalho, se elas estão nessa posição para você é porque estudaram muito e merecem respeito por seus esforços. Quando admiramos e gostamos de alguém, a última coisa que desejamos fazer é ofendê-la. Seja uma boa pessoa.

Se tivesse esperado para saber quem eu era ou o que eu queria fazer antes de começar a ‘ser criativo’, bem, eu ainda estaria sentado tentando me entender ao invés de estar fazendo o que quer que seja. Pela minha experiência, é no ato de criar e de fazer nosso trabalho que descobrimos quem somos. Você está pronto. Comece a fazer.

Ah, e se você não tem o "dom" de desenhar estrelas, desenhe estrelas - todos os dias - de formas diferentes. ;-)


Leia + sobre o assunto aqui, ó:


Ei você, as citações foram retiradas do livro Roube Como Um Artista - 10 Dicas Sobre Criatividade, do Austin Kleon. 

Seis novos jeitos de agir

31.1.18


É engraçado como a nossa visão em relação ao que fazemos não é uma matéria sólida e imutável. Tem sempre algo novo que aprendemos e agregamos, e nunca falta o que podemos descartar. Nos últimos meses, li, ouvi, vi e experimentei uma porção de lições que, de alguma forma, mudaram os meus hábitos, a minha rotina e o jeito como eu enxergava (e lidava) com o que faço. E isso é fantástico! Melhorou não só a intimidade que tenho com a ilustração como também me fez conhecer novas pessoas e viver experiências incríveis.

1. Mostrar mais o processo.

Sempre tive receio de mostrar os meus bastidores, nunca imaginei que as pessoas teriam interesse em acompanhar o "por trás das câmeras", dos filtros e do produto. Na minha cabeça, elas só queriam ver o resultado final e pronto. Mas eu sempre fui curiosa, me perguntava como determinada pintura era feita, como foi alcançado um certo resultado e gostaria de assistir de perto o processo de muita gente. Nem sempre me coloquei como espectadora do meu próprio método criativo, e isso é automático. A "graça" de uma peça está no trabalho artístico, não é?! Quando criança, eu ficava mais animada em ver a minha tia modelar massa do que apreciar a escultura pronta (não que a escultura não tivesse valor, você me entendeu que eu sei hehe). 

Privar que vejam como e o que estou produzindo só me distancia de quem decidiu acompanhar o que faço. É como criar um muro gigante, uma barreira entre nós. Talvez isso pareça algo que gere uma certa vulnerabilidade, mas podemos concordar que isso faria mais sentido se estivéssemos vivendo na era pré-digital. Stories do Instagram e Snapchat são canais rápidos e fáceis para dividir com outras pessoas o que estamos fazendo. Eu não quero só ver bolos prontos, quero acompanhar eles sendo feitos. Master Chef é altamente interessante porque acompanhamos cada receita "crescer".
Para fazer as conexões acontecerem, temos que permitir sermos vistos.
~ Brené Brown


2. Estudar, estudar e estudar mais um pouco.

Se por acaso eu pensar que já estou muito boa em alguma coisa, bata a minha cabeça na parede sem piedade (aliás, faça isso com carinho!). Ter esse tipo de pensamento é um sinal de alerta! Se estou muito confortável com o que faço, nenhum progresso estou fazendo.

3. Não me comparar com outras pessoas.

Não é nem um pouco legal me comparar com outros artistas. Cada pessoa possui as suas próprias bagagens, experiências, técnicas, estudos, limitações... Seria injusto comparar a minha realidade com a de alguém. Fora que isso gera na gente um certo grau de ansiedade, inferioridade e paralisia. Se eu ficar pensando: "ah, mas com fulano tal coisa dá certo e comigo não" ou "eu não sei fazer nada", vou deixar por isso mesmo e sempre me sentirei incapaz, o que não é saudável. Todos nós travamos lutas, a vida de ninguém é perfeita. Portanto, necessito lembrar - todos os dias - que os outros precisam me inspirar evolução, sem contrastes. A minha realidade, o meio em que vivo, como as coisas funcionam e não funcionam para mim não é igual a de todo mundo. Nem tudo é questão de meritocracia. Minha saúde emocional agradece.

4. Me preocupar cada vez menos com quantidade e mais com a qualidade.

Me sinto mil vezes mais fiel a mim mesma quando minhas postagens por aqui são poucas e com qualidade do que quando elas são muitas e não agregam em nada na sua e na minha vida. Criar não precisa ser um peso nas minhas coisas, que martelam e fazem doer a coluna. Menos é mais, já dizia o sábio. E o mesmo vale para tudo, absolutamente tudo na minha vida. Priorizar o que vale a pena e silenciar o que não me faz crescer.


6. Pensar mais no desenvolvimento.

Tenho me doado 95% ao processo e aproveitando - o máximo que posso - cada fase dele. Fazer tudo pensando unicamente na chegada faz a caminhada perder o gostinho e a gente perde a melhor parte dela: o progresso. Não é sobre chegar, mas como chegar. Antes, eu ficava muito ansiosa quando sentava para desenhar, por exemplo. Agora, eu só sento e vou curtindo cada etapa. Parece que estou romantizando isso de "aproveite o processo", mas não tô, não. Garanto! Acho que a gente aprende que não adianta tanta afobação sem prestar atenção no que está acontecendo agora, sabe?! Negligenciar a escalada pode fazer a chegada não ser tão legal assim, tudo é aprendizado. Quando a gente chega no topo da montanha não dá para ficar lá pra sempre, precisaremos descer e é nessa decida que nos questionaremos: "okay, atingi a minha meta e o que foi que ela deixou de lição para mim?".


E caminhar é isso: aprender com o que nos cerca. Novos dias, novas experiências. E ó, se puder, leia o livro "Mostre seu trabalho!", do Austin Kleon, tenho certeza que ele organizará suas ideias bagunçadas.

Nos últimos meses, quais foram as suas autodescobertas? :-)

5 de 100

18.1.18


Em 2014, participei do #365daysproject e foi uma experiência incrível e singular. Quem já participou de desafios longos sabe como isso requer disciplina, planejamento e foco. Lembro que quando cheguei no último dia do projeto o sentimento foi de não acreditar que tinha conseguido finalizar com louvor. Acaba que você se habitua e depois sente até falta.  Desde então, não participei de mais nada que me fizesse criar algo todos os dias, até que conheci o #100diasdedesenho, um desafio criado pelas meninas do Clube do Bordado.

Okay, eu desenho todos os dias.

Seja para os meus projetos, os freelas, os estudos... e assim vai. Ilustrar é algo que faz parte do meu cotidiano. Só que nem sempre produzo totalmente para mim, sem precisar seguir um briefing, sabe?! Foi aí que enxerguei uma oportunidade de dizer sim para o que, talvez, estremecesse as minhas pernas há uns tempos atrás. É, estremecesse... Levando em consideração que se passou pela minha cabeça que eu tenho compromissos demais para procurar mais um pra minha conta. Como seria a vida se não existisse o tal do frio na barriga?

Não há regras, a única é desenhar todo santo dia. 

Quero fazer desse desafio uma extensão dos meus estudos de pintura, perspectiva, cores... Sei que até a metade dele o meu traço e olhar já estarão mais desenvolvidos, porque essa é a melhor parte de praticar algo diariamente: evolução. E isso nem é a melhor parte de verdade, para ser bem honesta. O mais legal de tudo é que estou aproveitando o processo, me divertindo nele e com ele sem encucar que preciso fazer coisas complexas, extremamente certinhas e toda essa coisa espalhafatosa. Só quero me divertir e aprender com tudo isso.


01. Girl power, grown up 
Adoro desenhar pensando que acabei de fotografar uma situação, sabe?! Criei essa cena como se fosse eu andando por aí com minhas sandálias temáticas da Mulher Maravilha e BAM!, encontrei uma frase no chão que orna com meu passeio e preciso-registrar-isso-para-o-meu-instagram! hehe Histórias imagináveis são as melhores.

02. Polaroid
We're heaving so much fun! Nunca estive num momento tão "analógico" como nos últimos tempos. Amei um adesivo de ovos fritos (existe coisa mais fofa?) que vi na loja da Jess, a Bee Mine (que inclusive fui eu que desenvolvi a ilustração e escrevi à mão o nome da marca) e senti a necessidade de pintá-lo. 

03. Guarda-chuva 
Acho tão gostoso estudar a textura da madeira, a natureza é um verdadeiro livro de arte. Estou animada por ter chovido nos últimos dias por aqui. Estávamos em seca e um pinguinho de chuva já é um alívio para nós. 

04. The sun and her flowers
Quero tanto ler esse livro, porém minhas moedas estão em greve. Snif!

05. Oh, honey!
Minha paleta de sombras favorita da vida. Se algum dia eu detestei laranja e rosa, honestamente eu não me recordo disso.

Bom, esses foram os 5 de 100. Se você quiser acompanhar as minhas publicações em tempo real é só me seguir no Instagram

Já estou providenciando um post sobre como estou me organizando para não surtar com esse desafio diário. Acho que seria interessante dividir isso contigo, que tal?!

Ficou animado e deseja participar do #100diasdedesenho também? Vem que tem espaço para todo mundo. Encare isso como uma oportunidade para aprender e evoluir de um jeito só nosso.  ;-)

Olá 2018, pode entrar!

9.1.18


Começar preencher este espaço em branco da caixa de posts sempre me deixa animada e apreensiva. E é assim que também me sinto quando inicio um sketchbook novo, formato o meu computador ou simplesmente tiro os esmaltes das unhas para aplicar novas cores. Todo começo é incerto, mas a gente vai assim mesmo, ainda que devagarinho.

2017 foi um ano complicado para mim. Descobri que tenho uma doença crônica que acabou desencadeando outros problemas de saúde. Iniciei o meu tratamento, comecei outro e assim sigo vivendo um dia de cada vez cuidando de algo que faz parte de mim. Tive que aceitar esse fato com paciência, fé e - nas orações - pedindo sabedoria e força. Preciso mantê-la controlada, bonitinha e em paz. Sabe, às vezes coisas ruins vêm para oferecer algo bom, basta a gente ajustar as lentes e focar nisso. Acabei precisando mudar totalmente o meu estilo de vida e isso não foi/é algo ruim, pelo contrário. A mudança de hábitos me trouxe uma visão mais equilibrada da vida, saudável e leve. E isso é para toda existência, não posso mais voltar atrás.

Também precisei diminuir a minha carga de trabalho por conta disso tudo. Precisei fazer várias pausas ao longo do ano para cuidar da minha saúde e isso implicou em abrir mão de alguns projetos e trabalhos. Quem é freelancer sabe o quão importante é receber solicitação de serviços, ter que negá-los - várias vezes - me fazia sentir um pouco de culpa, mas era por uma razão nobre: sem saúde nada vai bem, principalmente produzir arte. Passou pela minha cabeça que não realizar freelas era uma atitude decepcionante e me colocava em uma posição de ser julgada. Mas aí eu refleti que não adiantava eu me prejudicar e não conseguir me dedicar 100% em algo, seria injusto entregar uma peça "meia-boca". Me enxergar como alguém que precisava de cuidados e não negligenciar isso fez toda diferença. Passei a me enxergar e a me respeitar como uma peça fundamental no que exerço.

Mudei meus gostos, aprendi inúmeras coisas novas, estudei muito (em passos lentos, é claro), bebi litros e mais litros de suco de beterraba com cenoura e de couve também, tomei remédios pesados, tive o primeiro remédio controlado receitado da minha vida (espero que seja o único hehe), joguei várias coisas do meu armário do lixo...  Definitivamente, 2017 foi cansativo. Por mais que tenha sido um ano pesado sobre meus ombros, nunca perdi a fé e tive a certeza que tinha Alguém maior segurando a minha mão e me fortalecendo. Aprendi que mesmo quando a gente acha que é fraco, nos tornamos fortes e tenho absoluta certeza que essa força vem do Alto.

No fim, tudo é aprendizado.

2018 é para mim como um sketchbook novo, limpo, cheio de folhas para serem preenchidas. Espero ser - todo santo dia - uma pessoa melhor, não me comparar com os outros, me cobrar menos e respeitar o que sinto. Que as cores, os aromas, os sons e os sabores dos próximos meses sejam incríveis para mim e para você também. Que possa ser sobre nós, e não sobre mim.


Já que falei em caderno e folhas em branco, não posso finalizar este post sem antes mostrar o presente gentil and artesanal que recebi da Isabella Pessoa:

sketchbook e prints altamente delicados feitos pela Bella, nhó! 
primeiro estudo do ano e a primeira vez na vida que fiz algo na primeira página hehe :P
mostrei lá no meu Instagram Stories todo processo desta pintura
segundo estudo inspirado em uma foto da Twiggy (também gravei e compartilhei nas stories)

Ei você, essa colagem delicada que ilustra o post foi feita pela minha irmã, Amanda Celeste. E ah, tinha um cigarro na mão esquerda da Anna Karina, por isso fiz um borrãozinho para escondê-lo. 

Ninhos que abrigam sonhos

30.12.17


Alô, alô vocês que, assim como eu, são apaixonados (e viciados) em agendas/planners! Há poucos dias atrás, a Cícero Papelaria teve a gentileza de me pedir para escolher um dos novos lançamentos da coleção de agendas 2018. Não devo negar que tive um pequeno surto de felicidade, né?! 

Passei 2017 inteirinho sem um planner e confesso que, volta e meia, eu ficava me perguntando se estava esquecendo de algum compromisso muito importante. Anotar tudo no celular é uma mão na roda, mas sabe quando você fica totalmente dependente desse aparelhinho e ele decide morrer, assim de uma hora para a outra? Pois é, foi o que me ocorreu. Perdi contatos, anotações e todas essas coisas que a gente acredita que é impossível deixar ir.

Quando recebi a mensagem do Cícero, não fiquei feliz exclusivamente por saber que teria uma agenda comigo (meu negócio é papel hehe), mas por lembrar que os materiais da marca me acompanham há anos e foi com uma caderneta assinada por ele que eu criei um dos projetos mais importantes da minha vida: a Prosa de Cora. Quem me acompanha há mais tempo, lembra que todas as prosas eram ilustradas à mão e pintadas com aquarela. Eu sentava no chão do quarto ou da sala daqui de casa e desenhava na minha caderneta. 

Sempre tive uma relação muita íntima com o papel, tenho respeito por cada folha e sei o quanto elas são importantes. Cadernos, agendas ou planners são mais que um conjunto de papéis cortados, decorados ou coloridos, são ninhos que abrigam sonhos, segredos, importâncias, verdades, rotinas, alvos... 

Um dia, há um ou dois anos atrás, enviei uns dois e-mails para a central de atendimento da Cícero Papelaria contando que a Prosa de Cora nasceu no "ninho" deles e o quanto eu era grata por isso. Não sei se alguém leu ou os e-mails se perderam no caminho. Por isso que a alegria foi grande com esse encontro no finalzinho de 2017. Foi uma serendipidade, que bom!


Não preciso dizer que foi uma tarefa e tanto escolher uma agenda, já que todas são muito bonitas e caprichadas. Okay. Não seria eu se não existisse uma florzinha de nada em algum detalhe, então optei pela estampa botânica. Flores habitam em mim, meu nome não nega hehe. 


A agenda é diária, com a capa dura em wire-o (eu prefiro assim para diferenciar dos meus sketchbooks que são no formato brochura), com os cantos bem arredondados e com uma bolsa para colocar cartões, post its, bilhetes e etc. U-hu!


Tem calendário com as fases da lua e com as semanas numeradas, tudo em tom de cinza. Adorei que o detalhe dos furos são redondos, ganhou o meu coração. 


O miolo é diário (1 dia é correspondido por uma página). 


Para quem já ama (e também para quem ainda não conhece) a Cícero Papelaria e desejam acompanhar a marca nas redes sociais é só dar um clique: loja + facebook + instagram. Ah, quem tiver interesse em uma agenda igualzinha a minha é só vir aqui

Que os próximos dias sejam floridos e cheirosos para nós. ;-)

Ei, este não é um publi-post, okay? E mesmo que fosse, a minha opinião é sempre verdadeira. 

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